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O Pantanal constitui extensa área plana, com altitudes que variam de 80 a 150 m acima do nível do mar, circundada por planaltos escarpados, situada no centro da América do Sul.

A planície pantaneira apresenta área aproximada de 140.00 km quadrados, que equivale uma vez e meia o tamanho de Portugal. A principal característica desta região é a de estar sujeita a inundações periódicas.

Isto ocorre porque, de norte para sul , o Rio Paraguai, que constitui o principal escoadouro e regulador das cheias, tem declividade praticamente inexpressiva - em média de 1 cm para cada quilômetro - o que dificulta o escoamento das águas.

Além da baixa declividade, no extremo sul do Pantanal, nas proximidades de Porto Murtinho, existe uma barragem natural, conhecida como Fecho dos Morros, o que também contribui para o represamento das águas.

Apesar das inundações, alternadas com intervalos de seca, o clima do Pantanal é semi-árido, comparável ao da Caatinga Nordestina. Suas águas têm origem principalmente nas partes altas,nas cabeceiras do rios, onde as chuvas são mais intensas, especialmente ao Norte, nas nascentes do Rio Paraguai.

Lá, nas épocas chuvosas, as águas transbordam os leitos dos rios e a inundação desce lentamente rumo ao Sul, como a gigantesca e vagarosa onda. Desta forma, apesar do período chuvoso compreender os meses de dezembro a fevereiro, é nos meses de maio a julho que as águas atingem seu nível máximo na planície. É também durante as cheias que ocorre o abastecimento das lagoas que depois funcionam como reservatórios, realimentando os rios quando estes começam a baixar.

O que se denomina Pantanal são paisagens diversificadas dentro da planície, ou seja, o Pantanal, na verdade, é um conjunto de pantanais distintos relacionados principalmente às sub-bacias hidrográficas do Rio Paraguai. Desta forma temos, de norte para o sul, o Pantanal do Jauru-Paraguai, Pantanal do Cuiabá, Pantanal do Itiquira-São Lourenço, Pantanal do Taquari, Pantanal do Paiaguás, Pantanal do Negro, Pantanal do Miranda-Aquidauana e Pantanal do Jacadigo-Nabileque.

Em cada sub-bacia ocorre regime hídrico distinto e os tipos de solos e geologia são diferentes dos demais o que, que por sua vez acaba influenciando na distribuição da fauna e flora. No Pantanal do Miranda-Aquidauana , por exemplo, parte das águas do Rio Miranda têm origem na Serra da Bodoquena, onde o maciço calcário contribui com grande quantidade de carbonato de cálcio dissolvido, fornecendo, assim, o característico gosto salôbro de suas águas.

Em função desta disponibilidade química, as lagoas desta região são preferencialmente procuradas pelos moluscos, que ali secretam suas grandes e espessas conchas carbonáticas

Às sub-bacias mencionadas acima, acrescenta-se ainda denominações baseadas na concentração de determinadas espécies vegetais como carandazal, paratudal, buritizal, pirizal, piuval, acurizal, entre outras. Há também denominações com fundamentos históricos como o Pantanal da Nhecolândia, que abrange parte do Pantanal do Taquari, ao norte do Rio Negro, como referência ao fazendeiro Nheco que ali constituiu uma das primeiras fazendas da região - a Fazenda Firme.

No Pantanal, as feições de relevo apresentam também toda uma terminologia popular. Alguns termos são curiosos como a denominação " cordilheiras ", empregada para os cordões arenosos de um a dois metros de altura, elevados da superfície pantaneira, encontrados geralmente circundando baías.

A denominação baía é empregada como sinônimo de lagoa e as drenagens são conhecidas como vazante ou corixo. A vazante constitui depressão alongada, ampla e larga, com drenagem temporária, por onde as águas escoam durante as cheias, intercomunicando baias. Já os corixos, ao contrário das vazantes, são canais de drenagem permanente, bem delimitados e entalhados na planície arenosa.

As superfícies das cordilheiras e capões ( porções elevadas circulares ) são geralmente arborizadas e dificilmente atingidas pelas cheias normais, servindo assim de refúgio à fauna silvestre e ao gado.

Paulo César Boggiani
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Armando Márcio Coimbra
Instituto de Geociências - Universidade de São Paulo



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